Entre Amigos

Entre Amigos

Nesse ano de 2015 eu fiz vários tipos de provas mas o grande objetivo tinha data marcada, o Indomit Costa Esmeralda 100k.

No ano passado participei na distância de 65k, que nesse ano não houve, passando a existir a distância de 50K. Lembro bem que no ano passado fiquei impressionado com a organização da prova, seria a primeira prova de 100k trail do Brasil, e a Bombinhas Runners dirigida pelo Juan Asef e a parceira dele com o Mariano Alvarez me convenceram que em 2015 eu voltaria para os 100k.

Nesse ano a chuva castigou Bombinhas por vários dias mas a organização conseguiu remanejar o percurso e São Pedro ainda garantiu um belo dia de Sol.  Ao redor de 200 corredores largaram na distância de 100k, logo no começo uma trilha fechada e com um capim que hora queimava hora cortava já mostrava que o dia ia ser duro.

Para remanejar o percurso houve a necessidade de correr por volta de 10k em uma estrada de asfalto, ainda de madrugada, nada de mais, mas asfalto é sempre asfalto!

No quilômetro 21 a primeira drop-bag e pude renovar minha mochila o que foi ótimo pois durante toda a prova correria sem tanto peso nas costas, além de um belo ponto de apoio com fartura de comida e bebida.

A partir desse ponto havia um apêndice de 16k de estrada de terra indo e voltando, chato demais isso, só serviu para ver o Giliard e o Carlos Magno dando aula de corrida de montanha! Enquanto eu ia eles já estavam voltando.

No quilômetro 38 a segunda drop-bag, na verdade a mesma do 21k, mesmo posto, mas o banheiro já tinha sido limpo e parecia um hotel 5 estrelas naquela hora. Aqui vale um comentário, as provas do Indomit são reconhecidas pela qualidade da organização desde o congresso técnico, passando pela hidratação, nutrição, segurança, etc.

Outro ponto que me agrada é a sinceridade da organização, problemas acontecem, que foi o caso das mudanças de percurso devido as chuvas, mas disseram que ia ter por volta de 96k e teve isso. Sem enrolação.

Na minha opinião a segunda drop-bag poderia ter ficado mais para frente, por volta do quilômetro 50 mas não mudou em nada a minha logística.

Por volta do quilômetro 40 o dia começou a nascer e junto meu ânimo, cheguei à conclusão que virar a noite correndo não é meu forte. Nessa hora se não estivesse correndo com minha amiga Ana Lucia Nogueira, ultramaratonista casca grossa, talvez o ânimo teria se abatido, fica a minha dica: durante as madrugadas procure correr com alguém, ajuda muito.

Praticamente a cada 10k havia um posto de hidratação com água, água de coco, coca-cola, batata-frita, biscoito, frutas e durante a madrugada sopa. Comida e bebida não faltou, tudo bom e gelado.

Logo o dia esquentou e o visual da trilha ficou lindo, uma praia mais bonita que a outra, intercalando com trilhas de mata fechada e muito barro.

Logo o pessoal dos 80k e 50k começaram a chegar e fomos formando os bondes de mesmo ritmo e no bate-papo a prova foi passando.

O Morro do Macaco foi um dos ajustes de percurso e apesar do corpo não estar gostando de toda aquela subida o visual lá de cima com o mar e a praia dos dois lados além do céu azul, foi demais. O que me decepcionou foi a pergunta de um senhor que estava na prova, se no alto do morro tinha staff marcando os números, por que senão ele ia “dar o gato” ( ou seja, cortar um trechim piquinim”) a vergonha alheia aflorou e disse que ele precisava buscar a pulseira verde que estavam entregando lá em cima. Falta de vergonha na cara !!! Depois anda todo pomposo de medalha no peito.

Outro ponto que notei durante a prova foi que, apesar de ainda termos alguns porquinhos que deixam seus rastros, no geral as trilhas estavam mais limpas.

Na descida do Morro do Macaco a trilha seguia por um lamaçal, nessa prova o barro foi o ator principal, todo o barro do mundo estava ali. Talvez 1k depois da descida do Morro do Macaco passamos por uma caverna enorme que valia uma foto mas deu preguiça de parar. Nessas horas o que não está à mão fica esquecido.

Os últimos 40k tiveram mais praia e menos barro, o visual ficou mais bonito, mais gente torcendo, mais areia no tênis, a maré alta deixava a praia quase sem espaço para correr, o Sol rachando e a carcaça perguntando porque fazer isso com ela? Para essa prova usei o tênis Hoha One One Speedgoat, um dos modelos maximalistas da Hoka que possui sola da Vibram, aprovei o modelo, muito confortável, excelente grip, seca muito rápido, talvez a língua e o cadarço sejam finos demais, pretendo trocar o cadarço por um mais grosso para forçar menos o peito o pé.

A última drop-bag foi no quilômetro 77 onde além de tudo que eu já falei que havia, ainda teve torta salgada, isso mesmo ,torta salgada, igual a que sua mamãe faz em casa! Achou pouco? Tinha cadeira de praia e staff com jarra de água para tirar a areia dos pés e trocar as meias. Me senti um marajá! Indomit é isso !!! Você recebe cada centavo da inscrição.

Dali em diante foi muita praia e um morro faltando 10 quilômetros com muito barro, mas a sensação de que nada mais te tira o prazer da chegada, faz a força aflorar e que doesse no outro dia porque naquela hora eu queria chegar correndo o mais forte possível.

Faltando 300m para a chegada cumprimentei minha parceira de prova para fazermos a chegada separados, pois lembrava que no ano anterior a organização esticava a faixa para todos os corredores e isso dava uma foto muito bacana, mas para minha supresa quem estava segurando a faixa era minha amiga e parceira de treinos Silvana Casarin e minha namorada Aline Podadera.

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Terminei minha primeira de prova de 100k em 17h 14m com o sorriso no rosto e correndo entre amigos, melhor não poderia ser.

Quero aproveitar e agradecer os vários amigos que deixaram de ser virtuais e passaram a ser reais.

Agora é descansar, esquecer como é duro e planejar a próxima.

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(16) Comments

  1. Max, brilhante o seu relato, também percebi que toda a lama do mundo estava em Bombinhas, rsrsrs

    Fiz minha primeira prova e 50km lá também e adorei, no meu site também fiz um relato de como foi, seria um grande prazer ter algum comentário seu lá.

    Gosto muito dos seus vídeos, são muito instrutivos, abraço.

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  2. Thiago Leão

    on   said 

    Grande Max!!! Muito legal correr com quem praticamente me guiou para as montanhas e que é responsável por eu ter o first aid mais pesado do mundo!!! Temos a mesma origem (o asfalto), mas seguimos por caminhos distintos (você, montanha, e eu, triathlon). Agora completamos a tríade do prazer!!!
    Espero em 2016 poder desfrutar um pouco mais dessas aventuras e conhecer pessoas tão bacanas quanto as que pude dividir os 100 km de Costa Esmeralda.
    Nos vemos em breve guerreiro.

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  3. Parabéns pela prova e pelo relato. Até o momento só corri uma prova organizada pela Indomit e o que senti foi exatamente isso que você relatou: eles realmente se importam com o corredor e em proporcionar ao corredor a melhor experiência possível – e o valor da inscrição é, se considerarmos tudo isso, bem inferior ao cobrado por outras provas que mal nos oferecem água.
    Muitas outras organizadoras poderiam aprender com eles.

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  4. Mando muito bem na prova ! Parabéns!!!

    ainda por cima matou um gato! kkk (Falta de vergonha na cara !!! Depois anda todo pomposo de medalha no peito)

    Marco Campos

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  5. Max, muito bacana o relato, como sempre!
    Também tenho ótimas experiências das provas Indomit. Já fiz Campos, Baú e em agosto fiz minha primeira maratona de trilha em Bombinhas. Organização sempre 10.
    Obrigado por dividir a experiência (vai rolar um vídeo da prova no canal do youtube???).
    Abração e parabéns!!

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  6. André Almeida

    on   said 

    Olá, adorei seu site, muito interessante seus relatos para um novato no esporte como eu, gostaria de dica sobre mochila de hidratação para treinos longos.

    Grato

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  7. James lehm

    on   said 

    Max, vai encarar os 105 km da Ultramaratona dos Perdidos?
    Ano passado eu vi vc nos 44.
    Eu terminei em 09:39 hrs. Muita lama.
    E ainda tenho uma lesão crônica na banda iliotibial q sempre me incomoda em provas acima de 7 hrs. Vc tem alguma dica sobre esta lesao?

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